Mais de 400 feirantes de cinco estados, representantes de todo o Semiárido brasileiro e milhares de visitantes transformaram Crateús em um grande espaço de comercialização, formação, intercâmbio de saberes, incidência política e celebração da cultura popular. Ainda era fim de tarde quando os primeiros agricultores e agricultoras começaram a ocupar o corredor de barracas na Praça Gentil Cardoso (Praça dos Pirulitos). Aos poucos, o colorido dos estandes, os aromas dos alimentos produzidos pela agricultura familiar, as conversas entre velhos conhecidos, o vai e vem das famílias e os primeiros acordes da programação cultural anunciavam que mais uma edição da Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária estava começando.

Alan Sampaio,

Comunicador, Cáritas Diocesana de Crateús

Sim! Essa é A FEIRA que resiste e insiste em reafirmar o Semiárido como território de Bem Viver, organização popular e agroecologia.

De 16 a 19 de junho de 2026, Crateús deixou de ser apenas a cidade do Sertão conhecida historicamente pela educação popular, deixada pela herança de Dom Fragoso, para tornar-se um grande território de encontro nacional da agricultura familiar. Ali, produtos agroecológicos, sementes crioulas, artesanato, saberes tradicionais, espiritualidade popular, formação, cultura e incidência política encontraram espaço para dialogar, reafirmando que uma convivência com o Semiárido viva e pulsante. Construída coletivamente, todos os dias, pelas mãos de quem vive e transforma esse território.

Para além de um evento anual, a XXI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária representou a celebração de processos desenvolvidos ao longo de todo o ano nas comunidades, associações, grupos produtivos e organizações populares. Com mais de 400 feirantes, representantes de 40 municípios de cinco estados brasileiros e a presença de organizações de todo o Semiárido Brasileiro, a feira consolidou-se, mais uma vez, como uma das maiores experiências de fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e da economia popular solidária no Nordeste.

A feira nasce dos territórios. Realizar uma feira com as dimensões alcançadas pela XXI edição continua sendo um grande desafio. Por trás da estrutura montada na Praça, da diversidade de produtos expostos e da intensa programação que mobilizou centenas de pessoas, existe um processo permanente de organização comunitária construído ao longo de todo o ano. É esse trabalho cotidiano que faz da feira uma experiência consolidada e reconhecida muito além dos limites dos Sertões de Crateús-Inhamuns.

Como destaca Adriano Leitão, coordenador executivo da Cáritas Diocesana de Crateús, “ela se mantém porque é construída a muitas mãos”. Essa afirmação caracteriza a essência da feira. Nada do que acontece durante os dias do evento começa ali. Cada estande, produto, atividade formativa e apresentação cultural são resultado de processos desenvolvidos nos territórios, envolvendo agricultores e agricultoras, juventudes, mulheres, associações comunitárias, grupos produtivos, movimentos sociais, pastorais, as universidades e organizações parceiras.

Ao longo de mais de duas décadas, a feira deixou de ser uma iniciativa regional para tornar-se referência nacional na promoção da agricultura familiar, da agroecologia e da economia popular solidária. Nesta edição, reuniu mais de 400 feirantes de 40 municípios distribuídos em cinco estados brasileiros, além de representantes de organizações, redes e instituições que atuam em diferentes recantos do nosso Semiárido.

A dimensão alcançada demonstra a força dos processos coletivos que sustentam essa experiência. A feira tornou-se um movimento permanente de valorização da produção familiar sustentável, fortalecimento das economias locais e defesa de um modelo de desenvolvimento comprometido com a justiça social, a preservação da natureza e o Bem Viver.

É a culminância dos processos

Os alimentos, artesanatos, sementes, mudas, produtos beneficiados e demais itens comercializados representam também um resultado de experiências construídas coletivamente nos territórios, nos projetos acompanhados pela Cáritas, e expressam modos de produção baseados na agroecologia, na cooperação e na economia solidária. Adriano Leitão, ainda afirma que a feira representa “a culminância dos processos que acontecem anualmente nos municípios participantes”.

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“É o momento em que comunidades de diferentes regiões trazem os frutos da e do trabalho humano desenvolvido ao longo do ano, celebrando não apenas as colheitas, mas também as conquistas do meio popular.”

Uma celebração da Vida

Essa compreensão aproxima a feira das festas da colheita, presentes em diferentes culturas ao longo da história. No Semiárido, essas celebrações sempre estiveram ligadas à nossa espiritualidade, à partilha, à valorização dos pequenos produtores e ao reconhecimento da terra como fonte de vida. A XXI Feira mantém viva essa tradição ao transformar a cidade em um gesto de encontro, celebração e fortalecimento do campo.

O visitante encontrava muito mais do que produtos. Encontrava histórias de resistência, experiências de convivência com o Semiárido, de consciências das tecnologias sociais, de práticas mais sustentáveis, de conhecimentos dos povos tradicionais e a demonstração concreta de que outro modelo de desenvolvimento territorial possível quando a organização comunitária, a solidariedade e o cuidado com a vida orientam os processos de produção e de economia.

Patrocínio

A realização da XXI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária contou com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste e do Governo Federal, instituições que contribuíram para fortalecer mais uma edição de uma das maiores experiências de promoção da agricultura familiar, da agroecologia e da economia popular solidária no Nordeste brasileiro.