Por dentro da programação da XXI FEIRA REGIONAL 

Pensada para fortalecer territórios e transforma realidades

Se a comercialização expressa a diversidade da produção da agricultura familiar e de economias populares, a programação da XXI Feira reflete a riqueza dos processos que acontecem nos territórios ao longo de todo o ano.

A programação reuniu oficinas, seminários, rodas de conversa, intercâmbios, encontros, exposições, atividades culturais e espaços de diálogo que abordaram temas fundamentais para a convivência com o Semiárido. Na feira, os saberes, se complementam e constroem novos caminhos para o desenvolvimento dos territórios.

troca de saberes

Oficina de Certificação Participativa e Agroecologica

Entre os diversos momentos formativos, a Oficina de Certificação Participativa e Agroecologia reuniu agentes da Cáritas, agricultores e agricultoras, técnicos e representantes de organizações parceiras para aprofundar o debate sobre os sistemas participativos de garantia. Para além de um mecanismo de certificação da produção agroecológica, a metodologia fortalece a organização comunitária, amplia as relações de confiança entre quem produz e quem consome e reafirma que a qualidade dos alimentos está diretamente ligada ao cuidado com a terra, com a água, com as sementes e com as pessoas.

As discussões sobre igualdade de gênero também atravessaram diferentes espaços da programação. Inspirada na Política Nacional de Gênero da Cáritas Brasileira, a Roda de Conversa sobre Gênero e Bem Viver promoveu um ambiente de escuta, partilha e construção coletiva de estratégias voltadas ao autocuidado e identidades, ao fortalecimento das redes de apoio e ao enfrentamento das desigualdades vividas pelas mulheres nos diferentes territórios. Entre relatos de vida, espiritualidade e compromisso com a justiça social, a atividade reafirmou que o Bem Viver somente é possível quando as relações humanas são construídas sobre o respeito, a igualdade e a valorização da vida das mulheres.

Esse debate dialogou diretamente com o lançamento da Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, promovida pelo Projeto Dom Hélder Câmara III durante a feira. Lançado nas oficinas, rodas de conversa e nos espaços expositivos, a campanha convidou o público a refletir sobre a distribuição das tarefas domésticas e dos cuidados como elemento essencial para a promoção da equidade de gênero. A iniciativa também envolveu estudantes da Escola Família Agrícola Dom Fragoso e da Universidade Federal do Ceará, Campus Crateús, que desenvolveram atividades interativas para estimular esse debate junto aos visitantes da feira.

Roda de Conversa

Gênero e Bem Viver 

Você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo.

E você tem que fazer isso o tempo todo.

Em uma roda de conversa realizada no Instituto Federal do Ceará, idealizada pela Avuar Social na XXI Feira, jovens compartilharam experiências construídas a partir da implantação de Sistemas Agroflorestais em suas comunidades, demonstrando como a agroecologia pode fortalecer a permanência no campo, gerar renda, preservar a biodiversidade e ampliar as possibilidades de futuro para as novas gerações. Ao colocar os próprios jovens como protagonistas do diálogo territorial, a atividade evidenciou que o Semiárido também se reinventa a partir da criatividade, da inovação e da capacidade de organização de sua juventude.

A programação abriu espaço, ainda, para refletir sobre educação e cultura de paz. O Seminário Regional Violência, Cultura de Paz e Educação reuniu representantes de escolas públicas, universidades, gestores, educadores, estudantes e lideranças comunitárias que a Cáritas de Crateús acompanha, para discutir estratégias de promoção dos direitos humanos e da convivência respeitosa nos ambientes escolares e nas comunidades. O encontro reafirmou que educar para a paz significa construir relações baseadas no diálogo, na participação e no reconhecimento da diversidade como riqueza humana.

A Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária dos Territórios Inhamuns/Crateús se assume uma postura antirracista, diversa e livre de toda discriminação. Na economia popular solidária não existe gente descartável. Por isso acolhemos e damos protagonismo a mulheres, jovens, negros, indígenas, quilombolas e agricultores familiares, reconhecendo que a justiça racial é parte da justiça social no campo.

Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante! 

Paulo freire

Confluências

Os intercâmbios também constituíram uma das marcas desta edição. Entre eles, destaca-se o encontro entre mulheres pescadoras do litoral cearense e pescadoras de água doce da comunidade Realejo, em Crateús. Às margens do açude, histórias, técnicas, desafios e conquistas foram compartilhados por mulheres que vivem realidades distintas, mas encontram na organização comunitária, na defesa dos territórios e no protagonismo feminino pontos de convergência. O intercâmbio revelou que, embora separadas por diferentes paisagens, são as águas, a resistência e a força das mulheres que unem essas experiências. O intercâmbio com a Casa de Sementes da EFA Dom Fragoso revela que a juventude ainda pode ser o caminho como guardiões da natureza, das sementes crioulas, de um sertão recaatingado. 

Essas foram apenas algumas das muitas atividades que integraram a programação da XXI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária. Ao longo dos dias, diferentes espaços acolheram debates sobre agroecologia, economia popular solidária, políticas públicas, educação popular, espiritualidade, juventudes, direitos, tecnologias sociais, convivência com o Semiárido e organização comunitária. Esses encontros ampliaram redes, fortaleceu parcerias e reafirmou que a feira é, sobretudo, um território de produção e circulação de conhecimentos, onde experiências construídas nas comunidades encontram espaço para serem compartilhadas, reconhecidas e multiplicadas.

A realização da XXI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária contou com o patrocínio do Banco do Nordeste, da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal, instituições que contribuíram para fortalecer mais uma edição de uma das maiores experiências de promoção da agricultura familiar, da agroecologia e da economia popular solidária no Nordeste brasileiro.